Franquia do seguro residencial: como funciona a POS, com exemplos de conta
No seguro da casa a franquia se chama POS: um percentual do prejuízo com valor mínimo, por cobertura. Exemplos de conta com telhado, aparelho queimado e roubo.

No seguro residencial, a franquia se chama POS, participação obrigatória do segurado: é a parte de cada prejuízo que fica com você, descontada da indenização. Quase sempre ela é um percentual do prejuízo com um valor mínimo, por exemplo 10% com mínimo de R$ 500, que é a regra que a Porto informa para a Multiproteção do Residencial Essencial. Prejuízo abaixo do mínimo não tem o que receber; acima dele, a seguradora paga o resto, até o limite da cobertura. E cada cobertura tem a sua POS, ou não tem nenhuma.
Franquia ou POS: é a mesma coisa?
Para quem vai receber, funciona igual: é a sua parte no prejuízo. O que muda é o nome, de seguradora para seguradora, e por isso a apólice às vezes traz uma palavra diferente da que você ouviu na cotação. Nas condições gerais que lemos, ficou assim:
| Seguradora | Nome nas condições gerais | Como é definida |
|---|---|---|
| Porto Seguro (Essencial e Residência) | Participação Obrigatória do Segurado (POS) | Valor e/ou percentual definido na apólice; a seguradora paga o que passar da POS |
| Allianz | Franquia | Percentuais ou valores especificados na apólice, por cobertura reclamada |
| Mapfre (versão 3.0) | Franquia e POS, as duas | A franquia pode ser em percentual, dias ou valor; a POS vale em perda parcial ou total, exista franquia ou não |
Como a POS aparece na apólice
Na apólice, ao lado de cada cobertura, vem o limite e a participação: algo como "Vendaval: limite de R$ 30.000; POS de 10% dos prejuízos, mínimo de R$ 500". A conta é sempre a mesma. Calcula-se o percentual sobre o prejuízo; se der menos que o mínimo, vale o mínimo. A seguradora paga o prejuízo menos essa participação, sem passar do limite.
Quando um mesmo evento atinge duas coberturas, a POS pode ser descontada duas vezes. As condições da Mapfre dizem isso com todas as letras: havendo prejuízo em mais de uma cobertura, deduz-se a franquia ou a POS de cada uma, separadamente. Um temporal que destelha a casa e queima o portão eletrônico na mesma noite pode cair em vendaval e em danos elétricos, cada um com a sua parte.
Toda cobertura tem POS? Não
No Porto Residencial Essencial, a Porto informa que só há franquia na Multiproteção, a cobertura que reúne danos elétricos, vendaval e granizo, roubo, quebra de vidros e perda ou pagamento de aluguel. A cobertura básica de incêndio e a de danos a terceiros não têm. Nos outros produtos, a regra está na apólice. O que a gente vê no dia a dia é a básica de incêndio sem POS na maioria das apólices, e a POS concentrada nas coberturas que acionam com frequência: vendaval, danos elétricos, roubo. Antes de fechar, vale olhar a linha de cada uma.
Exemplos de POS, com as contas
Todas as contas abaixo usam a regra de 10% do prejuízo com mínimo de R$ 500. Os dois primeiros valores são exemplos; os três últimos são sinistros reais que a corretora acompanhou, com os valores do processo.
| Situação | Prejuízo | POS | A seguradora paga | Fica com você |
|---|---|---|---|---|
| Exemplo: meia dúzia de telhas quebradas pelo granizo | R$ 400,00 | R$ 500,00 (mínimo) | R$ 0,00 | R$ 400,00 |
| Exemplo: parte do telhado e o forro de um quarto | R$ 3.000,00 | R$ 500,00 (mínimo) | R$ 2.500,00 | R$ 500,00 |
| Caso real: a luz voltou com pico e queimou geladeira, ar-condicionado e motor do portão (com laudo) | R$ 2.900,00 | R$ 500,00 (mínimo) | R$ 2.400,00 | R$ 500,00 |
| Caso real: arrombamento na viagem do feriado (bens com nota ou foto) | R$ 14.000,00 | R$ 1.400,00 (10%) | R$ 12.600,00 | R$ 1.400,00 |
| Caso real: temporal de novembro, telhado arrancado e forro que cedeu (limite de R$ 80 mil) | R$ 62.904,88 | R$ 6.290,49 (10%) | R$ 56.614,39 | R$ 6.290,49 |
Repare no que a tabela mostra. Até R$ 5.000 de prejuízo, quem manda é o mínimo: você fica com R$ 500, seja o prejuízo de R$ 600 ou de R$ 4.900. Acima de R$ 5.000, os 10% passam a valer mais que o mínimo e a sua parte cresce junto com o prejuízo.
O limite pesa mais que a POS no sinistro grande
No temporal de novembro, a POS foi de R$ 6.290,49. Parece muito, até comparar com o que acontece quando o limite contratado é baixo:
| Limite de R$ 30 mil | Limite de R$ 80 mil | |
|---|---|---|
| Prejuízo | R$ 62.904,88 | R$ 62.904,88 |
| POS (10%, mínimo R$ 500) | R$ 6.290,49 | R$ 6.290,49 |
| Prejuízo menos a POS | R$ 56.614,39 | R$ 56.614,39 |
| A seguradora paga | R$ 30.000,00 (o limite) | R$ 56.614,39 |
| Fica com a família | R$ 32.904,88 | R$ 6.290,49 |
Com limite de R$ 30 mil, a família ficou com mais de R$ 32 mil do prejuízo; com R$ 80 mil, só com a POS. Em sinistro pequeno, a POS decide se vale acionar. Em sinistro grande, quem decide é o limite. O artigo "Granizo, vendaval e chuva: o que o seguro residencial cobre em Dourados" conta esse temporal em detalhe.
E a "taxa inicial de R$ 1.500"?
Não existe taxa inicial no seguro residencial com esse nome, nem um valor de franquia que valha para todo mundo. O que quase sempre está por trás da pergunta é uma POS fixa: algumas apólices trazem um valor em reais no lugar do percentual, e as condições gerais da Allianz e da Mapfre preveem as duas formas. Se a sua apólice diz R$ 1.500, a conta fica assim (exemplo):
| Prejuízo | POS | A seguradora paga | Fica com você |
|---|---|---|---|
| R$ 1.200,00 | R$ 1.500,00 | R$ 0,00 | R$ 1.200,00 |
| R$ 2.900,00 | R$ 1.500,00 | R$ 1.400,00 | R$ 1.500,00 |
| R$ 14.000,00 | R$ 1.500,00 | R$ 12.500,00 | R$ 1.500,00 |
Em nenhum dos casos você paga a POS à seguradora. Ela é descontada da indenização, e a sua parte você acerta direto com o telhadista, a assistência técnica ou a loja.
O que conferir na apólice antes de fechar
- A POS de cada cobertura, uma por uma: percentual, mínimo ou valor fixo.
- O limite de cada cobertura, comparado com o que um sinistro de verdade custaria na sua casa.
- Se o limite volta depois de um sinistro. No Porto Essencial não volta: o que foi usado só se recompõe na renovação.
- Se o limite é de uma cobertura só ou de um grupo. No Essencial, o valor do plano é o da Multiproteção; confira na apólice como ele se aplica.
Perguntas frequentes
No seguro residencial ela costuma se chamar POS, participação obrigatória do segurado. É a parte de cada prejuízo que fica com você: a seguradora desconta a POS e paga o resto, até o limite da cobertura. Em geral é um percentual do prejuízo com um valor mínimo, como 10% com mínimo de R$ 500, e cada cobertura tem a sua.
Pode ter, se for o que está escrito na sua apólice. As condições gerais da Allianz e da Mapfre dizem que a franquia pode ser um valor ou um percentual, definido na apólice; não existe um valor único de mercado. Se a sua POS é de R$ 1.500, prejuízo até esse valor não tem o que receber, e acima dele a seguradora paga a diferença.
Não. No Porto Residencial Essencial, por exemplo, a Porto informa que só a Multiproteção tem franquia: danos elétricos, vendaval e granizo, roubo, vidros e aluguel. A cobertura básica de incêndio e a de danos a terceiros não têm. Em outros produtos, a POS de cada cobertura vem escrita na apólice.
Só se o prejuízo passar da POS. Com a regra de 10% e mínimo de R$ 500, um conserto de R$ 400 não tem nada a receber, e um de R$ 3.000 rende R$ 2.500. Antes de acionar, compare o orçamento com a POS daquela cobertura na apólice.
Não. A POS é descontada da indenização: a seguradora paga o prejuízo menos a sua parte, e essa parte você acerta direto com quem faz o conserto. Não existe boleto de franquia no seguro residencial.
Veja também
Fontes
- Porto Seguro — Residencial Essencial: perguntas frequentes (franquia só na Multiproteção, 10% com mínimo de R$ 500)
- Porto Seguro — Condições Gerais Residencial Essencial (01/09/2026)
- Porto Seguro — Condições Gerais Residência Habitual (01/09/2026)
- Porto Seguro — Residencial Essencial: planos e coberturas
- Allianz — Condições Gerais Seguro Residência (10/2025)
- Mapfre — Condições Contratuais Seguro Residencial, versão 3.0
Corretor de seguros e sócio-fundador da Chiare & Mendes, corretora habilitada pela SUSEP (202030976) em Dourados/MS, que atende todo o Brasil. Escreve sobre as dúvidas que chegam todos os dias no atendimento. Conteúdo informativo — não substitui a leitura das condições gerais da apólice nem orientação profissional individual.


