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Franquia do seguro residencial: como funciona a POS, com exemplos de conta

No seguro da casa a franquia se chama POS: um percentual do prejuízo com valor mínimo, por cobertura. Exemplos de conta com telhado, aparelho queimado e roubo.

Felipe Servignini MendesPublicado em
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No seguro residencial, a franquia se chama POS, participação obrigatória do segurado: é a parte de cada prejuízo que fica com você, descontada da indenização. Quase sempre ela é um percentual do prejuízo com um valor mínimo, por exemplo 10% com mínimo de R$ 500, que é a regra que a Porto informa para a Multiproteção do Residencial Essencial. Prejuízo abaixo do mínimo não tem o que receber; acima dele, a seguradora paga o resto, até o limite da cobertura. E cada cobertura tem a sua POS, ou não tem nenhuma.

Franquia ou POS: é a mesma coisa?

Para quem vai receber, funciona igual: é a sua parte no prejuízo. O que muda é o nome, de seguradora para seguradora, e por isso a apólice às vezes traz uma palavra diferente da que você ouviu na cotação. Nas condições gerais que lemos, ficou assim:

Como cada seguradora chama a sua parte no prejuízo
SeguradoraNome nas condições geraisComo é definida
Porto Seguro (Essencial e Residência)Participação Obrigatória do Segurado (POS)Valor e/ou percentual definido na apólice; a seguradora paga o que passar da POS
AllianzFranquiaPercentuais ou valores especificados na apólice, por cobertura reclamada
Mapfre (versão 3.0)Franquia e POS, as duasA franquia pode ser em percentual, dias ou valor; a POS vale em perda parcial ou total, exista franquia ou não
Condições gerais vigentes em outubro de 2026. O valor nunca está nas condições gerais: está na apólice, cobertura por cobertura.

Como a POS aparece na apólice

Na apólice, ao lado de cada cobertura, vem o limite e a participação: algo como "Vendaval: limite de R$ 30.000; POS de 10% dos prejuízos, mínimo de R$ 500". A conta é sempre a mesma. Calcula-se o percentual sobre o prejuízo; se der menos que o mínimo, vale o mínimo. A seguradora paga o prejuízo menos essa participação, sem passar do limite.

Quando um mesmo evento atinge duas coberturas, a POS pode ser descontada duas vezes. As condições da Mapfre dizem isso com todas as letras: havendo prejuízo em mais de uma cobertura, deduz-se a franquia ou a POS de cada uma, separadamente. Um temporal que destelha a casa e queima o portão eletrônico na mesma noite pode cair em vendaval e em danos elétricos, cada um com a sua parte.

Toda cobertura tem POS? Não

No Porto Residencial Essencial, a Porto informa que só há franquia na Multiproteção, a cobertura que reúne danos elétricos, vendaval e granizo, roubo, quebra de vidros e perda ou pagamento de aluguel. A cobertura básica de incêndio e a de danos a terceiros não têm. Nos outros produtos, a regra está na apólice. O que a gente vê no dia a dia é a básica de incêndio sem POS na maioria das apólices, e a POS concentrada nas coberturas que acionam com frequência: vendaval, danos elétricos, roubo. Antes de fechar, vale olhar a linha de cada uma.

Exemplos de POS, com as contas

Todas as contas abaixo usam a regra de 10% do prejuízo com mínimo de R$ 500. Os dois primeiros valores são exemplos; os três últimos são sinistros reais que a corretora acompanhou, com os valores do processo.

POS de 10% com mínimo de R$ 500, em cinco sinistros
SituaçãoPrejuízoPOSA seguradora pagaFica com você
Exemplo: meia dúzia de telhas quebradas pelo granizoR$ 400,00R$ 500,00 (mínimo)R$ 0,00R$ 400,00
Exemplo: parte do telhado e o forro de um quartoR$ 3.000,00R$ 500,00 (mínimo)R$ 2.500,00R$ 500,00
Caso real: a luz voltou com pico e queimou geladeira, ar-condicionado e motor do portão (com laudo)R$ 2.900,00R$ 500,00 (mínimo)R$ 2.400,00R$ 500,00
Caso real: arrombamento na viagem do feriado (bens com nota ou foto)R$ 14.000,00R$ 1.400,00 (10%)R$ 12.600,00R$ 1.400,00
Caso real: temporal de novembro, telhado arrancado e forro que cedeu (limite de R$ 80 mil)R$ 62.904,88R$ 6.290,49 (10%)R$ 56.614,39R$ 6.290,49
Regra de 10% com mínimo de R$ 500, a que a Porto informa para a Multiproteção do Residencial Essencial; a da sua apólice pode ser outra. No arrombamento, as joias sem nenhuma comprovação não entraram na conta: sem nota, foto ou declaração, não há como provar o valor.

Repare no que a tabela mostra. Até R$ 5.000 de prejuízo, quem manda é o mínimo: você fica com R$ 500, seja o prejuízo de R$ 600 ou de R$ 4.900. Acima de R$ 5.000, os 10% passam a valer mais que o mínimo e a sua parte cresce junto com o prejuízo.

O limite pesa mais que a POS no sinistro grande

No temporal de novembro, a POS foi de R$ 6.290,49. Parece muito, até comparar com o que acontece quando o limite contratado é baixo:

O mesmo temporal de R$ 62.904,88, com dois limites
Limite de R$ 30 milLimite de R$ 80 mil
PrejuízoR$ 62.904,88R$ 62.904,88
POS (10%, mínimo R$ 500)R$ 6.290,49R$ 6.290,49
Prejuízo menos a POSR$ 56.614,39R$ 56.614,39
A seguradora pagaR$ 30.000,00 (o limite)R$ 56.614,39
Fica com a famíliaR$ 32.904,88R$ 6.290,49
Primeiro desconta-se a POS; depois, o que sobra é pago até o limite. R$ 30 mil é o maior limite de Multiproteção na tabela de planos que a Porto publicou em 2025; o menor é R$ 5 mil.

Com limite de R$ 30 mil, a família ficou com mais de R$ 32 mil do prejuízo; com R$ 80 mil, só com a POS. Em sinistro pequeno, a POS decide se vale acionar. Em sinistro grande, quem decide é o limite. O artigo "Granizo, vendaval e chuva: o que o seguro residencial cobre em Dourados" conta esse temporal em detalhe.

E a "taxa inicial de R$ 1.500"?

Não existe taxa inicial no seguro residencial com esse nome, nem um valor de franquia que valha para todo mundo. O que quase sempre está por trás da pergunta é uma POS fixa: algumas apólices trazem um valor em reais no lugar do percentual, e as condições gerais da Allianz e da Mapfre preveem as duas formas. Se a sua apólice diz R$ 1.500, a conta fica assim (exemplo):

Exemplo: POS fixa de R$ 1.500
PrejuízoPOSA seguradora pagaFica com você
R$ 1.200,00R$ 1.500,00R$ 0,00R$ 1.200,00
R$ 2.900,00R$ 1.500,00R$ 1.400,00R$ 1.500,00
R$ 14.000,00R$ 1.500,00R$ 12.500,00R$ 1.500,00
Valores ilustrativos. Com POS fixa, a sua parte é a mesma em qualquer prejuízo acima dela.

Em nenhum dos casos você paga a POS à seguradora. Ela é descontada da indenização, e a sua parte você acerta direto com o telhadista, a assistência técnica ou a loja.

O que conferir na apólice antes de fechar

  • A POS de cada cobertura, uma por uma: percentual, mínimo ou valor fixo.
  • O limite de cada cobertura, comparado com o que um sinistro de verdade custaria na sua casa.
  • Se o limite volta depois de um sinistro. No Porto Essencial não volta: o que foi usado só se recompõe na renovação.
  • Se o limite é de uma cobertura só ou de um grupo. No Essencial, o valor do plano é o da Multiproteção; confira na apólice como ele se aplica.

Perguntas frequentes

No seguro residencial ela costuma se chamar POS, participação obrigatória do segurado. É a parte de cada prejuízo que fica com você: a seguradora desconta a POS e paga o resto, até o limite da cobertura. Em geral é um percentual do prejuízo com um valor mínimo, como 10% com mínimo de R$ 500, e cada cobertura tem a sua.

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Felipe Servignini Mendes
Sócio-fundador da Chiare & Mendes Corretora de Seguros

Corretor de seguros e sócio-fundador da Chiare & Mendes, corretora habilitada pela SUSEP (202030976) em Dourados/MS, que atende todo o Brasil. Escreve sobre as dúvidas que chegam todos os dias no atendimento. Conteúdo informativo — não substitui a leitura das condições gerais da apólice nem orientação profissional individual.

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