Casa alugada: quem paga o seguro, o inquilino ou o proprietário?
Pela Lei do Inquilinato, o seguro contra fogo é do proprietário, salvo contrato em contrário. Móveis e dano ao vizinho são do inquilino. Quem paga o quê.
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Pela Lei do Inquilinato, quem paga o seguro contra fogo do imóvel é o proprietário — a menos que o contrato de locação diga outra coisa, e muitos contratos passam essa conta ao inquilino. O que a lei não resolve é o resto: os móveis, a geladeira, a TV e o estrago que você causar no vizinho são do inquilino, e o seguro do dono não protege nada disso. Em casa alugada, a pergunta que resolve é menos “quem paga” e mais “o que cada apólice cobre”.
O que diz a Lei do Inquilinato
O art. 22, VIII, da Lei nº 8.245/1991 manda o locador pagar os impostos, as taxas e o prêmio do seguro complementar contra fogo do imóvel, “salvo disposição expressa em contrário no contrato”. É essa ressalva que permite à imobiliária escrever no contrato que o inquilino contrata o seguro incêndio. Se o contrato não diz nada, a conta é do proprietário.
O art. 23 trata do inquilino. Ele deve reparar os danos que ele, os dependentes, familiares ou visitantes causarem no imóvel (inciso V) e devolver a casa no estado em que recebeu, salvo o desgaste do uso normal (inciso III). Paga também o prêmio do seguro-fiança, quando é essa a garantia escolhida (inciso XI), e as despesas ordinárias de condomínio (inciso XII). Do seguro dos bens do inquilino, a lei não fala: esse ninguém faz por você.
Quem segura o quê numa casa alugada
| O que | De quem é o risco | Qual seguro cobre |
|---|---|---|
| Estrutura: paredes, telhado, instalações | Do proprietário | A cobertura de incêndio do seguro residencial. O prêmio é do dono, salvo contrato em contrário |
| Móveis, eletrodomésticos, roupas | Do inquilino | Seguro residencial em nome do inquilino, cobertura de conteúdo |
| Estrago que você causa no vizinho | De quem causou | Responsabilidade civil familiar, no seguro de quem mora |
| Estrago na própria casa alugada | O inquilino deve reparar o que causou (art. 23, V) | A cobertura do imóvel (incêndio, vendaval e outras). A responsabilidade civil não paga bem de terceiro em poder do segurado |
| Aluguel enquanto a casa não pode ser habitada | Depende do contrato | Perda ou pagamento de aluguel, depois de incêndio ou vendaval coberto |
| Prédio, em apartamento alugado | Do condomínio | Seguro obrigatório do condomínio, cujo prêmio entra nas despesas ordinárias (Lei 4.591/1964, art. 13), que o inquilino paga |
O contrato pede seguro incêndio: como fazer
O caminho mais simples é uma apólice residencial em nome do inquilino, com a estrutura e o conteúdo. As condições gerais do Porto Residencial Essencial preveem exatamente isso: quando o seguro é contratado pelo inquilino, a indenização da estrutura é paga primeiro ao proprietário, e a do conteúdo, ao inquilino. A mesma apólice atende o contrato e protege o que é seu.
- Leia no contrato o valor mínimo de incêndio exigido e se o proprietário precisa constar como beneficiário.
- Segure a estrutura pelo custo de reconstruir a casa, não pelo valor do aluguel nem pelo de venda.
- Inclua o seu conteúdo: móveis, eletrodomésticos, roupas.
- Inclua a responsabilidade civil familiar, para o vazamento ou o acidente que atinge o vizinho.
- Mande a apólice para a imobiliária e guarde o comprovante.
Quando é o dono que faz o seguro
Se o proprietário contrata o seguro para o imóvel que aluga, a apólice protege o que é dele. No Porto Essencial, os bens do dono só entram se estiverem especificados no contrato de locação; os do inquilino, só se o proprietário autorizar e se houver limite sobrando. Ou seja: o “a casa tem seguro” que o dono diz na assinatura do contrato não garante as suas coisas.
E tem um detalhe que pouca gente conhece. Quando a seguradora paga um sinistro, ela assume o direito do segurado de cobrar do responsável — é a sub-rogação, prevista nas condições gerais da Porto. Se o fogo começou por descuido do inquilino e o seguro do dono pagou, a seguradora pode cobrar do inquilino. Quando a apólice é do próprio inquilino, ele é o segurado, não o terceiro responsável.
Um incêndio real, contado como casa alugada
Um sinistro real que acompanhamos: curto-circuito no ar-condicionado do quarto, às 3 da manhã. A família saiu a tempo; fogo, fumaça e a água dos bombeiros fizeram o resto. Reconstrução e reparos: R$ 354.214,98. Móveis, roupas e aparelhos: R$ 104.581,44. A casa era da família. Como exemplo, veja como esse mesmo prejuízo se dividiria se ela fosse alugada:
| Prejuízo | Valor | Só seguro do dono | Apólice do inquilino com estrutura e conteúdo |
|---|---|---|---|
| Reconstrução e reparos | R$ 354.214,98 | Pago ao proprietário, até o limite de incêndio | Pago primeiro ao proprietário, até o limite de incêndio |
| Móveis, roupas e aparelhos do inquilino | R$ 104.581,44 | Só com autorização do dono e limite sobrando | Pago ao inquilino, até o limite contratado |
| Aluguel enquanto a casa é refeita | Conforme o contrato | Só se a apólice do dono tiver a cobertura | Perda ou pagamento de aluguel: paga o aluguel ao proprietário, se o contrato obriga o inquilino, por até 6 meses |
E o seguro-fiança?
É outra coisa. O seguro-fiança locatícia é uma das garantias que o proprietário pode exigir, ao lado da caução, da fiança e da cessão de cotas de fundo (Lei 8.245, art. 37), e o contrato só pode ter uma delas. Ele garante o aluguel e os encargos se o inquilino não pagar. Não cobre incêndio, roubo nem nenhum dano ao imóvel ou aos seus móveis. Muita imobiliária pede os dois; são produtos diferentes.
Perguntas frequentes
Pela Lei do Inquilinato (Lei nº 8.245/1991, art. 22, VIII), o proprietário paga o prêmio do seguro contra fogo, salvo se o contrato disser expressamente o contrário. Muitos contratos passam essa obrigação ao inquilino, e isso é permitido pela própria lei. Vale o que está escrito no seu contrato.
Em regra, não. O seguro do dono protege o imóvel e, quando muito, os bens dele. No Porto Residencial Essencial, por exemplo, quando o seguro é do proprietário, os bens do inquilino só são indenizados se o proprietário autorizar e se sobrar limite. Móveis, eletrônicos e roupas do inquilino precisam de uma apólice em nome dele.
Pode. Nas condições gerais do Porto Residencial Essencial, por exemplo, quando o inquilino contrata, a indenização da estrutura vai primeiro ao proprietário e a do conteúdo vai ao inquilino. Assim uma apólice só atende a exigência do contrato e protege as coisas de quem mora.
A Lei do Inquilinato obriga o inquilino a reparar os danos que ele, a família ou visitas causarem no imóvel (art. 23, V). Se o seguro do proprietário pagar, a seguradora pode cobrar o valor do responsável: é a sub-rogação, prevista nas condições gerais da Porto, por exemplo. Por isso a estrutura bem segurada interessa também ao inquilino.
Não. O seguro-fiança é uma das garantias da locação previstas no art. 37 da Lei do Inquilinato: ele garante ao proprietário o aluguel e os encargos se o inquilino não pagar. Não cobre incêndio, roubo nem nenhum dano ao imóvel ou aos móveis. Pela lei, o prêmio dele é do inquilino (art. 23, XI).
Veja também
Fontes
- Lei nº 8.245/1991 (Lei do Inquilinato), arts. 22, 23 e 37
- Lei nº 4.591/1964, art. 13 (seguro da edificação em condomínio)
- Porto Seguro — Condições Gerais Residencial Essencial (01/09/2026)
- Porto Seguro — Residencial Essencial (preço de entrada e participação da Multiproteção)
- Porto Seguro — Residencial Essencial: planos e coberturas
Corretor de seguros e sócio-fundador da Chiare & Mendes, corretora habilitada pela SUSEP (202030976) em Dourados/MS, que atende todo o Brasil. Escreve sobre as dúvidas que chegam todos os dias no atendimento. Conteúdo informativo — não substitui a leitura das condições gerais da apólice nem orientação profissional individual.


