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Casa alugada: quem paga o seguro, o inquilino ou o proprietário?

Pela Lei do Inquilinato, o seguro contra fogo é do proprietário, salvo contrato em contrário. Móveis e dano ao vizinho são do inquilino. Quem paga o quê.

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Felipe Servignini MendesPublicado em · atualizado em
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Pela Lei do Inquilinato, quem paga o seguro contra fogo do imóvel é o proprietário — a menos que o contrato de locação diga outra coisa, e muitos contratos passam essa conta ao inquilino. O que a lei não resolve é o resto: os móveis, a geladeira, a TV e o estrago que você causar no vizinho são do inquilino, e o seguro do dono não protege nada disso. Em casa alugada, a pergunta que resolve é menos “quem paga” e mais “o que cada apólice cobre”.

O que diz a Lei do Inquilinato

O art. 22, VIII, da Lei nº 8.245/1991 manda o locador pagar os impostos, as taxas e o prêmio do seguro complementar contra fogo do imóvel, “salvo disposição expressa em contrário no contrato”. É essa ressalva que permite à imobiliária escrever no contrato que o inquilino contrata o seguro incêndio. Se o contrato não diz nada, a conta é do proprietário.

O art. 23 trata do inquilino. Ele deve reparar os danos que ele, os dependentes, familiares ou visitantes causarem no imóvel (inciso V) e devolver a casa no estado em que recebeu, salvo o desgaste do uso normal (inciso III). Paga também o prêmio do seguro-fiança, quando é essa a garantia escolhida (inciso XI), e as despesas ordinárias de condomínio (inciso XII). Do seguro dos bens do inquilino, a lei não fala: esse ninguém faz por você.

Quem segura o quê numa casa alugada

Riscos de uma casa alugada e o seguro que cobre cada um
O queDe quem é o riscoQual seguro cobre
Estrutura: paredes, telhado, instalaçõesDo proprietárioA cobertura de incêndio do seguro residencial. O prêmio é do dono, salvo contrato em contrário
Móveis, eletrodomésticos, roupasDo inquilinoSeguro residencial em nome do inquilino, cobertura de conteúdo
Estrago que você causa no vizinhoDe quem causouResponsabilidade civil familiar, no seguro de quem mora
Estrago na própria casa alugadaO inquilino deve reparar o que causou (art. 23, V)A cobertura do imóvel (incêndio, vendaval e outras). A responsabilidade civil não paga bem de terceiro em poder do segurado
Aluguel enquanto a casa não pode ser habitadaDepende do contratoPerda ou pagamento de aluguel, depois de incêndio ou vendaval coberto
Prédio, em apartamento alugadoDo condomínioSeguro obrigatório do condomínio, cujo prêmio entra nas despesas ordinárias (Lei 4.591/1964, art. 13), que o inquilino paga
Coberturas conforme as condições gerais do Porto Residencial Essencial (01/09/2026). Outras seguradoras usam nomes parecidos; cada apólice tem suas exclusões.

O contrato pede seguro incêndio: como fazer

O caminho mais simples é uma apólice residencial em nome do inquilino, com a estrutura e o conteúdo. As condições gerais do Porto Residencial Essencial preveem exatamente isso: quando o seguro é contratado pelo inquilino, a indenização da estrutura é paga primeiro ao proprietário, e a do conteúdo, ao inquilino. A mesma apólice atende o contrato e protege o que é seu.

  • Leia no contrato o valor mínimo de incêndio exigido e se o proprietário precisa constar como beneficiário.
  • Segure a estrutura pelo custo de reconstruir a casa, não pelo valor do aluguel nem pelo de venda.
  • Inclua o seu conteúdo: móveis, eletrodomésticos, roupas.
  • Inclua a responsabilidade civil familiar, para o vazamento ou o acidente que atinge o vizinho.
  • Mande a apólice para a imobiliária e guarde o comprovante.

Quando é o dono que faz o seguro

Se o proprietário contrata o seguro para o imóvel que aluga, a apólice protege o que é dele. No Porto Essencial, os bens do dono só entram se estiverem especificados no contrato de locação; os do inquilino, só se o proprietário autorizar e se houver limite sobrando. Ou seja: o “a casa tem seguro” que o dono diz na assinatura do contrato não garante as suas coisas.

E tem um detalhe que pouca gente conhece. Quando a seguradora paga um sinistro, ela assume o direito do segurado de cobrar do responsável — é a sub-rogação, prevista nas condições gerais da Porto. Se o fogo começou por descuido do inquilino e o seguro do dono pagou, a seguradora pode cobrar do inquilino. Quando a apólice é do próprio inquilino, ele é o segurado, não o terceiro responsável.

Um incêndio real, contado como casa alugada

Um sinistro real que acompanhamos: curto-circuito no ar-condicionado do quarto, às 3 da manhã. A família saiu a tempo; fogo, fumaça e a água dos bombeiros fizeram o resto. Reconstrução e reparos: R$ 354.214,98. Móveis, roupas e aparelhos: R$ 104.581,44. A casa era da família. Como exemplo, veja como esse mesmo prejuízo se dividiria se ela fosse alugada:

O mesmo incêndio numa casa alugada (exemplo)
PrejuízoValorSó seguro do donoApólice do inquilino com estrutura e conteúdo
Reconstrução e reparosR$ 354.214,98Pago ao proprietário, até o limite de incêndioPago primeiro ao proprietário, até o limite de incêndio
Móveis, roupas e aparelhos do inquilinoR$ 104.581,44Só com autorização do dono e limite sobrandoPago ao inquilino, até o limite contratado
Aluguel enquanto a casa é refeitaConforme o contratoSó se a apólice do dono tiver a coberturaPerda ou pagamento de aluguel: paga o aluguel ao proprietário, se o contrato obriga o inquilino, por até 6 meses
Exemplo construído sobre os valores de um sinistro real de incêndio (casa própria). Regras das condições gerais do Porto Residencial Essencial; limites suficientes. Na Porto, a cobertura de incêndio não tem participação do segurado.

E o seguro-fiança?

É outra coisa. O seguro-fiança locatícia é uma das garantias que o proprietário pode exigir, ao lado da caução, da fiança e da cessão de cotas de fundo (Lei 8.245, art. 37), e o contrato só pode ter uma delas. Ele garante o aluguel e os encargos se o inquilino não pagar. Não cobre incêndio, roubo nem nenhum dano ao imóvel ou aos seus móveis. Muita imobiliária pede os dois; são produtos diferentes.

Perguntas frequentes

Pela Lei do Inquilinato (Lei nº 8.245/1991, art. 22, VIII), o proprietário paga o prêmio do seguro contra fogo, salvo se o contrato disser expressamente o contrário. Muitos contratos passam essa obrigação ao inquilino, e isso é permitido pela própria lei. Vale o que está escrito no seu contrato.

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Felipe Servignini Mendes
Sócio-fundador da Chiare & Mendes Corretora de Seguros

Corretor de seguros e sócio-fundador da Chiare & Mendes, corretora habilitada pela SUSEP (202030976) em Dourados/MS, que atende todo o Brasil. Escreve sobre as dúvidas que chegam todos os dias no atendimento. Conteúdo informativo — não substitui a leitura das condições gerais da apólice nem orientação profissional individual.

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