Seguro residencial vale a pena? A conta com preço simulado e sinistros reais
Vale para o prejuízo que você não pagaria sozinho: R$ 1.013 por ano, em média, contra um incêndio real de R$ 458 mil. A conta de quatro sinistros e do limite.

Vale a pena para o prejuízo que você não conseguiria pagar sozinho. Na simulação que a gente fez em 03/10/2026, o pacote de entrada de uma casa custou em média R$ 1.013,35 por ano, uns R$ 84 por mês; um único incêndio real que a corretora acompanhou somou R$ 458.796,42, o equivalente a 452 anos desse prêmio. Já para um conserto de R$ 2.900, a franquia leva uma parte e a conta fica bem mais apertada. E em todos os casos quem decide é o limite contratado, não a parcela.
Os preços deste artigo são simulações feitas pela corretora numa seguradora, a Allianz, com um perfil fixo de casa e de segurado. O seu preço real muda com o CPF e o perfil de quem contrata, com o bairro e o CEP (não só a cidade), com o imóvel, com o valor segurado e com as coberturas e limites escolhidos — e muda com o tempo. Não é oferta nem proposta, e outras seguradoras têm preços e pacotes diferentes. Os sinistros são casos reais de clientes, recontados aqui com as regras dos pacotes simulados, como exemplo.
| Item | O que foi cotado |
|---|---|
| Seguradora e data | Allianz, 03/10/2026, vigência a partir do mesmo dia |
| Imóvel | Casa de alvenaria, uso habitual, telhado sem isopainel |
| Seguro | Novo, prédio + conteúdo, valor garantido de R$ 500.000 |
| Pacotes | Os três prontos da Allianz: Compacto, Ampliado e Exclusivo |
| Assistência 24 h | Plano Completo |
| Segurado | O mesmo CPF em todas as cidades |
| Preço | Prêmio anual total, à vista no débito |
| Cidades | 28: as 27 capitais e Dourados, um endereço em cada |
Quanto custa por ano
Para ter a conta com os dois extremos e o meio, separamos a cidade mais barata, a mais cara, Dourados, onde fica a corretora, e a média das 28:
| Cidade | Compacto | Ampliado | Exclusivo |
|---|---|---|---|
| Brasília (a mais barata) | R$ 651,11 | R$ 1.012,32 | R$ 1.916,40 |
| Dourados | R$ 979,12 | R$ 1.654,04 | R$ 3.116,55 |
| Florianópolis (a mais cara) | R$ 1.377,62 | R$ 2.040,15 | R$ 3.459,61 |
| Média das 28 cidades | R$ 1.013,35 | R$ 1.560,24 | R$ 2.723,26 |
| Média, por mês | R$ 84,45 | R$ 130,02 | R$ 226,94 |
Esses valores ficam dentro da faixa que a gente vê no balcão, de R$ 40 a R$ 400 por mês, como contamos em "Quanto custa o seguro residencial". O que muda entre os pacotes não é só o preço: é a lista de coberturas e o limite de cada uma.
Quatro sinistros reais nos pacotes simulados
Os quatro casos abaixo aconteceram com clientes da corretora, com os valores do processo. Aplicamos a eles os limites e as franquias dos pacotes simulados. Franquias usadas: danos elétricos, 10% do prejuízo com mínimo de R$ 600; vendaval, 10% com mínimo de R$ 500; roubo e incêndio, sem franquia.
| Sinistro | Prejuízo | Compacto paga | Ampliado paga | Exclusivo paga |
|---|---|---|---|---|
| A luz voltou com pico: geladeira, ar-condicionado e motor do portão (com laudo) | R$ 2.900,00 | R$ 2.300,00 | R$ 2.300,00 | R$ 2.300,00 |
| Arrombamento na viagem do feriado (bens com nota ou foto) | R$ 14.000,00 | R$ 0,00 (não tem roubo) | R$ 14.000,00 | R$ 14.000,00 |
| Temporal de novembro: telhado arrancado, forro que cedeu, quarto molhado | R$ 62.904,88 | R$ 25.000,00 (limite) | R$ 50.000,00 (limite) | R$ 56.614,39 |
| Incêndio por curto no ar-condicionado: casa e conteúdo | R$ 458.796,42 | R$ 458.796,42 | R$ 458.796,42 | R$ 458.796,42 |
Quantos anos de prêmio cada indenização vale
Uma forma honesta de olhar a conta é dividir o que a seguradora pagaria pelo prêmio médio de um ano do mesmo pacote. O resultado diz quantos anos de seguro aquele sinistro devolveria de uma vez:
| Sinistro | Compacto | Ampliado | Exclusivo |
|---|---|---|---|
| Danos elétricos (paga R$ 2.300) | 2,3 anos | 1,5 ano | 0,8 ano |
| Arrombamento (paga R$ 14.000) | Não cobre | 9,0 anos | 5,1 anos |
| Temporal (paga até o limite) | 24,7 anos | 32,0 anos | 20,8 anos |
| Incêndio (paga R$ 458.796,42) | 452,8 anos | 294,1 anos | 168,5 anos |
A tabela mostra onde o seguro faz diferença. O incêndio vale séculos de prêmio, em qualquer pacote: é o prejuízo que quase nenhuma família consegue bancar. O temporal vale de 20 a 32 anos. O aparelho queimado vale de menos de um a pouco mais de dois anos de prêmio — ajuda, mas é um valor que muita gente consegue pagar do bolso, ainda que doa.
O limite decide quanto do temporal fica com você
O seguro residencial paga até o limite de cada cobertura, sem rateio: é a contratação a primeiro risco absoluto, que está nas condições gerais da Porto, da Allianz e da Mapfre. No temporal de R$ 62.904,88, a conta nos três pacotes fica assim:
| Compacto | Ampliado | Exclusivo | |
|---|---|---|---|
| Limite de vendaval | R$ 25.000,00 | R$ 50.000,00 | R$ 150.000,00 |
| Franquia (10%, mínimo R$ 500) | R$ 6.290,49 | R$ 6.290,49 | R$ 6.290,49 |
| Prejuízo menos a franquia | R$ 56.614,39 | R$ 56.614,39 | R$ 56.614,39 |
| A seguradora paga | R$ 25.000,00 | R$ 50.000,00 | R$ 56.614,39 |
| Fica com a família | R$ 37.904,88 | R$ 12.904,88 | R$ 6.290,49 |
No Compacto, a família ainda ficaria com R$ 37.904,88, quase 39 anos do prêmio que pagaria em Dourados. Na média das 28 cidades, o Ampliado custou R$ 546,89 a mais por ano que o Compacto e, só neste temporal, pagaria R$ 25.000 a mais, além de incluir roubo. O Exclusivo custou R$ 1.163,02 a mais que o Ampliado e, aqui, pagaria R$ 6.614,39 a mais; o resto da diferença está em limites maiores de danos elétricos, roubo e responsabilidade civil e em coberturas que só ele tem, como joias e roubo de bens fora de casa. O artigo "Compacto, Ampliado ou Exclusivo: o que muda entre os pacotes do seguro residencial" detalha cada degrau.
O pacote mais barato não paga o arrombamento
Nos pacotes simulados, o Compacto não tem roubo e furto qualificado, vidros, impacto de veículos, equipamentos eletrônicos, ruptura de tanques e tubulações nem tumultos. O arrombamento de R$ 14 mil ficaria inteiro com a família. No Ampliado, com limite de roubo de R$ 25 mil e sem franquia, seria pago todo. Quem mora em casa e viaja nos feriados deveria olhar essa linha antes do preço. Lembrando: só entra o que tem comprovação; no caso real, as joias sem nota nem foto ficaram fora da conta.
Seguro não é investimento
É bom dizer com todas as letras. Na maioria dos anos, você paga o seguro e não usa, e isso é o esperado. O prêmio não volta no fim da vigência e não rende. O dinheiro de todos os segurados paga o sinistro de alguns, mais os custos da seguradora; por isso, na média, quem contrata recebe menos do que pagou. Quem faz a conta "paguei dez anos e nunca usei" está medindo a coisa errada.
O que o seguro compra é não ter de bancar sozinho o prejuízo grande. Na nossa conta, R$ 1.013,35 por ano, em média, contra um incêndio de R$ 458 mil ou um telhado de R$ 63 mil. Para o prejuízo pequeno, a franquia pesa: com mínimo de R$ 600 em danos elétricos, um conserto de R$ 600 não rende nada, e um de R$ 2.900 rende R$ 2.300. Se você tem reserva para esses, ótimo; o seguro é para o dia em que a reserva não chega.
Quando a conta muda
| Situação | O que pesar |
|---|---|
| Mora em apartamento | A estrutura do prédio é do seguro do condomínio; o residencial fica para o que é seu, dentro do apartamento, e para a responsabilidade civil |
| Casa alugada | Quem contrata e quem recebe pela estrutura depende do contrato de locação |
| Só se preocupa com aparelho queimado | A franquia leva uma parte de cada sinistro pequeno; compare com o preço do pacote |
| Casa grande ou cheia de equipamentos | O limite do pacote de entrada pode não dar conta; o temporal mostra o efeito |
Para decidir, três perguntas
- Pense no incêndio: se você não conseguiria reconstruir a casa e recomprar tudo do próprio bolso, o seguro vale.
- Compare o limite de cada cobertura com um sinistro de verdade na sua casa, como o temporal desta página.
- Confira se as coberturas que importam para você, como roubo e danos elétricos, estão no pacote que você está olhando.
Perguntas frequentes
Vale para o prejuízo que você não conseguiria pagar sozinho, como um incêndio ou um temporal que leva o telhado. Na simulação da Chiare & Mendes na Allianz em 03/10/2026, o pacote de entrada custou em média R$ 1.013,35 por ano em 28 cidades; um incêndio real que a corretora acompanhou somou R$ 458.796,42, o equivalente a 452 anos desse prêmio. Para estrago pequeno, a franquia come boa parte da indenização.
Na simulação de 03/10/2026, para uma casa de alvenaria com R$ 500 mil de valor garantido, o pacote de entrada da Allianz custou de R$ 651,11 (Brasília) a R$ 1.377,62 (Florianópolis) por ano, com média de R$ 1.013,35 em 28 cidades, cerca de R$ 84 por mês. O preço real muda com o CPF, o bairro, o imóvel, o valor segurado e as coberturas.
O seguro não se paga com o tempo: na maioria dos anos, você paga e não usa, e isso é o esperado. Ele vale porque um único sinistro grande, como um incêndio ou um telhado arrancado, custa dezenas ou centenas de vezes o prêmio anual. A pergunta certa é se você conseguiria pagar esse prejuízo sem o seguro.
Nem sempre. Nos pacotes da Allianz simulados em 03/10/2026, o de entrada (Compacto) não tinha roubo e furto qualificado; a cobertura só aparece no Ampliado, com limite de R$ 25 mil, e no Exclusivo, com R$ 60 mil. Num arrombamento real de R$ 14 mil, o Compacto não pagaria nada. Confira a lista de coberturas antes de escolher pelo preço.
Fica com a seguradora. O prêmio paga a proteção daquele período, como o aluguel de uma garantia: o dinheiro de todos os segurados paga os sinistros de alguns. Seguro não é investimento nem poupança; na média, quem contrata recebe menos do que paga, e o que compra é não ter de bancar sozinho o prejuízo grande.
Veja também
Fontes
Corretor de seguros e sócio-fundador da Chiare & Mendes, corretora habilitada pela SUSEP (202030976) em Dourados/MS, que atende todo o Brasil. Escreve sobre as dúvidas que chegam todos os dias no atendimento. Conteúdo informativo — não substitui a leitura das condições gerais da apólice nem orientação profissional individual.


