Cobertura de vidros no seguro auto: para-brisa, faróis, retrovisores e teto solar
É adicional: reparar o para-brisa sai sem franquia e trocar paga uma franquia própria, menor que a do casco. O que cada seguradora inclui e quando compensa.

A cobertura de vidros é um adicional do seguro auto que paga o reparo ou a troca de para-brisa, vidros laterais e traseiro e, conforme o plano, faróis, lanternas, retrovisores e teto solar. Reparar a trinca do para-brisa sai sem franquia na Porto, no Bradesco, na Yelum e na HDI; trocar a peça paga uma franquia própria, bem menor que a do casco. O serviço é feito na rede indicada pela seguradora, e o número de usos por ano muda de uma para outra: no Bradesco são duas trocas de vidro por vigência; na Porto, vale até esgotar a verba.
O que a cobertura de vidros paga
- Reparo da trinca do para-brisa, quando tecnicamente possível, sem franquia.
- Troca do para-brisa, do vidro traseiro e dos vidros laterais quebrados, com a franquia de vidros.
- Faróis, lanternas e retrovisores externos, nos planos que os incluem; a troca só da lente do retrovisor sai sem franquia em várias seguradoras.
- Teto solar e panorâmico, nos planos que o incluem.
- Película de controle solar e palheta, quando quebrou o vidro em que estavam.
- Em algumas, máquina de vidro, cristalização do para-brisa e recalibração dos sensores de assistência ao motorista (ADAS) após a troca.
Cobertura de vidros por seguradora
| Seguradora (versão lida) | O que entra | Franquia | Limite de uso | Onde faz |
|---|---|---|---|---|
| Porto Seguro (CG145, cláusulas 76 e 76R) | Para-brisa, laterais, traseiro, máquina de vidro, teto solar e panorâmico, retrovisores, faróis e lanternas | Na troca. Reparo do para-brisa e lente do retrovisor sem franquia; teto solar paga a do para-brisa; uma franquia por evento, a de maior valor | Sem número de acionamentos, até esgotar a verba: de R$ 10 mil a R$ 100 mil conforme o valor do carro | 76: só na rede, sem reembolso. 76R: rede ou livre escolha, com reembolso |
| Allianz (12/2025, 13.10) | Plano 1: vidros. Planos 2 a 4: mais faróis, lanternas e retrovisores. Planos 3 e 4: mais teto solar | Por item substituído, com valor na apólice; vários itens no mesmo evento pagam só a de maior valor (13.10.1.1); lente do retrovisor sem franquia | Limites em reais por evento e por vigência | Rede credenciada ou livre escolha, com reembolso limitado |
| Bradesco (2026) | Nº 25: vidros, máquina e cristalização. Nº 24 Plus: mais faróis, lanternas e retrovisores. Teto solar só nas versões Premium | Uma participação por troca; duas trocas de uma vez pagam duas. Reparo do para-brisa e troca só da lente sem participação | 2 trocas de vidro por vigência; no Plus, mais 2 de faróis e lanternas e 2 de retrovisores; lente sem limite | Só na rede, sem reembolso |
| Yelum (05/2025) | Básico: vidros. Intermediário: mais retrovisores, lanternas, faróis e máquina. Teto solar nos planos "com teto solar" | Reparo sem franquia; troca com franquia por evento, inclusive nos laterais; vários itens pagam a de maior valor | Limites em reais por evento e por vigência | Rede ou livre escolha |
| HDI (manual sem data) | Vidros (31 0017); faróis, lanternas e lentes de retrovisor em cobertura separada (31 0018) | Para-brisa: R$ 60 (nacional) e R$ 135 (importado); laterais e traseiro sem franquia | Faróis e lanternas: 2 por ano | Só na rede credenciada |
Reparo sem franquia, troca com franquia
Esta é a regra mais útil da cobertura, e quase ninguém conhece: se o para-brisa pode ser reparado, não se paga nada. A Porto escreve que não há franquia para o reparo do para-brisa; Bradesco e Yelum, também; a HDI só cobra quando o reparo não é possível; a Allianz fala em franquia por item substituído. Muita gente com uma trinca pequena deixa de acionar achando que vai pagar franquia, e a trinca cresce até exigir a troca.
Quem decide se dá para reparar é o técnico da rede, por critério de segurança. O Bradesco publica os seus: trinca menor que 10 cm, ponto de impacto com menos de 4 cm de diâmetro, fora do campo de visão do motorista (a faixa de 290 mm na frente do volante) e fora da serigrafia, a faixa escura da borda. Por isso a pressa conta: pedra no para-brisa, acione logo, antes que a trinca cresça e o reparo deixe de ser possível.
Na troca, preste atenção em como a franquia é contada. A Porto cobra uma franquia por evento, a de maior valor entre as peças danificadas. O Bradesco cobra uma participação por troca: se o mesmo evento quebrou o para-brisa e o vidro traseiro, são duas. A Allianz faz como a Porto: vários itens no mesmo evento, mesmo de coberturas diferentes, pagam só a franquia da peça de maior valor. A SUSEP permite os dois jeitos, desde que esteja escrito.
Vidros ou casco: quando usar cada um
A cobertura de vidros é para o vidro que quebrou sozinho: a pedra na estrada, o galho, o granizo que trincou o para-brisa sem amassar o carro. Se o vidro quebrou numa batida, ou se a mesma ocorrência amassou a lataria, tudo vai para o sinistro de casco, com a franquia de casco. A HDI e o Bradesco excluem da cobertura de vidros o dano causado por colisão; Porto, Allianz, Yelum e Bradesco não atendem pela cobertura de vidros o carro que está com sinistro de casco em andamento.
Sem a cobertura de vidros, o vidro quebrado sozinho fica num lugar ruim. Na Tokio Marine, o casco nem cobre dano isolado a vidro (9.1.5 i). Nas outras, entraria como sinistro de casco, com a franquia cheia, que quase sempre é maior que o preço da peça. A conta da franquia de casco está no artigo sobre franquia.
Rede referenciada: o que muda para você
A SUSEP obriga a seguradora a manter no site a lista atualizada da rede referenciada de cada plano (Circular 639/2021, art. 12, § 2º). Vale olhar antes de contratar se existe loja de vidros da rede na sua cidade: em cidade do interior, isso decide se a cobertura funciona na prática.
Fora da rede, as regras endurecem. Na cláusula 76 da Porto e no Bradesco não há reembolso de serviço feito por conta própria. Na Allianz há reembolso, mas limitado: para trocar o para-brisa de um carro de passeio nacional, até R$ 180 por evento e R$ 360 por vigência; de picape pesada nacional, como Hilux, S10 e Ranger, até R$ 350 e R$ 700. A peça também muda: a norma admite peça nova, original ou não (art. 13), e a logomarca da montadora no vidro não vem de série: a cláusula 76 da Porto exclui a peça genuína com logomarca, e Allianz e Bradesco só a repõem nas coberturas próprias de logomarca. Carro com câmera e sensor no para-brisa: o Bradesco inclui a recalibração dos sensores fixados no para-brisa após a troca; a Allianz exclui a recalibração.
Usar a cobertura de vidros mexe no bônus e no carro reserva?
No bônus, depende da seguradora. O Bradesco escreve que os serviços de reparo de vidros não são considerados para reduzir a classe de bônus, e a Yelum diz o mesmo do reparo exclusivo de vidros. Para a troca de peça e para as demais seguradoras, pergunte antes; o funcionamento do bônus está no artigo sobre ele. No carro reserva, a resposta é mais firme: Porto e Bradesco dizem que o uso da cobertura de vidros não garante carro reserva, mesmo contratado.
Vale a pena contratar a cobertura de vidros?
A conta se faz com três números da sua própria cotação e um orçamento, sem precisar adivinhar nada:
| Letra | O que é | Onde achar |
|---|---|---|
| A | Quanto o adicional de vidros acrescenta ao preço do seguro por ano | Na cotação, com e sem a cobertura |
| B | Quanto custa trocar o para-brisa do seu carro sem seguro | Orçamento numa loja de vidros automotivos |
| C | Franquia de troca do para-brisa | Na proposta |
| Resultado | Uma única troca no ano já paga o adicional se B menos C for maior que A | — |
Pesa a favor de contratar: rodar em estrada de terra ou atrás de caminhão, carro com para-brisa caro (com sensor de chuva, câmera ou aquecimento), caminhonete, faróis de LED ou xênon originais e teto panorâmico. Pesa contra: carro antigo com vidro barato, pouco uso e uma rede de vidros longe de casa. Na cotação, vale comparar também o plano só de vidros com o que inclui faróis e retrovisores.
Coberturas, franquias, limites e regras de bônus variam conforme a seguradora e o plano contratado. As cláusulas citadas têm a seguradora e a versão indicadas, e valem para aquela versão das condições gerais. Para o seu caso, consulte a proposta, a apólice e as condições contratuais do seu seguro.
Perguntas frequentes
Cobre se você contratou a cobertura adicional de vidros. Quando a trinca é pequena e fora do campo de visão do motorista, o para-brisa é reparado sem franquia na Porto, no Bradesco, na Yelum e na HDI. Se precisar trocar, paga-se a franquia de vidros da apólice, bem menor que a de casco.
Depende da seguradora, do carro e do plano: o valor está na proposta e na apólice. A HDI é a única, entre as que lemos, que escreve o valor no próprio manual: R$ 60 para carro nacional e R$ 135 para importado, num documento sem data. O reparo, quando possível, não tem franquia na Porto, no Bradesco, na Yelum e na HDI.
Varia muito. No Bradesco, são duas trocas de vidro por vigência, mais duas de faróis e lanternas e duas de retrovisores. Na Porto, não há número de acionamentos: vale até esgotar a verba, de R$ 10 mil a R$ 100 mil conforme o valor do carro. Na Allianz e na Yelum, os limites são em reais por evento e por vigência.
Nem sempre. O Bradesco diz que o serviço de reparo de vidros não reduz a classe de bônus, e a Yelum diz o mesmo do reparo exclusivo de vidros. Para troca de peça e para as outras seguradoras, pergunte antes de acionar, porque cada contrato tem a sua regra.
Só nos planos que incluem. Na Porto, a cláusula 76 já traz faróis, lanternas e retrovisores; na Allianz, eles entram a partir do plano 2; no Bradesco, na versão Plus; na HDI, numa cobertura separada. Troca só da lente do retrovisor não tem franquia na Porto, na Allianz, no Bradesco e na Yelum.
Veja também
Fontes
- Porto Seguro — Condições Gerais Automóvel CG145, vigência 01/09/2026 (cláusulas 76 e 76R)
- Allianz — Condições Gerais Seguro de Automóvel, vigência a partir de 10/12/2025 (13.10)
- Bradesco Seguros — Condições Contratuais Bradesco Seguro Auto (2026) (Reparo de Vidros Nº 98, Vidro Protegido Nº 25, Vidro Protegido Plus Nº 24 e versões Premium)
- Yelum Seguros — Condições Contratuais de Automóvel (05/2025) (Assistência a Vidros e bônus, 5.8)
- HDI Seguros — Manual do Segurado Automóvel (coberturas 31 0017 e 31 0018)
- Tokio Marine — Condições Gerais Automóvel, versão 10 (12/2025) (9.1.5)
- Circular SUSEP nº 639/2021 (regras do seguro de automóvel), arts. 9º, 12 e 13
Corretor de seguros e sócio-fundador da Chiare & Mendes, corretora habilitada pela SUSEP (202030976) em Dourados/MS, que atende todo o Brasil. Escreve sobre as dúvidas que chegam todos os dias no atendimento. Conteúdo informativo — não substitui a leitura das condições gerais da apólice nem orientação profissional individual.


