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Cobertura de vidros no seguro auto: para-brisa, faróis, retrovisores e teto solar

É adicional: reparar o para-brisa sai sem franquia e trocar paga uma franquia própria, menor que a do casco. O que cada seguradora inclui e quando compensa.

Felipe Servignini MendesPublicado em
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A cobertura de vidros é um adicional do seguro auto que paga o reparo ou a troca de para-brisa, vidros laterais e traseiro e, conforme o plano, faróis, lanternas, retrovisores e teto solar. Reparar a trinca do para-brisa sai sem franquia na Porto, no Bradesco, na Yelum e na HDI; trocar a peça paga uma franquia própria, bem menor que a do casco. O serviço é feito na rede indicada pela seguradora, e o número de usos por ano muda de uma para outra: no Bradesco são duas trocas de vidro por vigência; na Porto, vale até esgotar a verba.

O que a cobertura de vidros paga

  • Reparo da trinca do para-brisa, quando tecnicamente possível, sem franquia.
  • Troca do para-brisa, do vidro traseiro e dos vidros laterais quebrados, com a franquia de vidros.
  • Faróis, lanternas e retrovisores externos, nos planos que os incluem; a troca só da lente do retrovisor sai sem franquia em várias seguradoras.
  • Teto solar e panorâmico, nos planos que o incluem.
  • Película de controle solar e palheta, quando quebrou o vidro em que estavam.
  • Em algumas, máquina de vidro, cristalização do para-brisa e recalibração dos sensores de assistência ao motorista (ADAS) após a troca.

Cobertura de vidros por seguradora

Cobertura de vidros, faróis e retrovisores: o que cada seguradora escreve
Seguradora (versão lida)O que entraFranquiaLimite de usoOnde faz
Porto Seguro (CG145, cláusulas 76 e 76R)Para-brisa, laterais, traseiro, máquina de vidro, teto solar e panorâmico, retrovisores, faróis e lanternasNa troca. Reparo do para-brisa e lente do retrovisor sem franquia; teto solar paga a do para-brisa; uma franquia por evento, a de maior valorSem número de acionamentos, até esgotar a verba: de R$ 10 mil a R$ 100 mil conforme o valor do carro76: só na rede, sem reembolso. 76R: rede ou livre escolha, com reembolso
Allianz (12/2025, 13.10)Plano 1: vidros. Planos 2 a 4: mais faróis, lanternas e retrovisores. Planos 3 e 4: mais teto solarPor item substituído, com valor na apólice; vários itens no mesmo evento pagam só a de maior valor (13.10.1.1); lente do retrovisor sem franquiaLimites em reais por evento e por vigênciaRede credenciada ou livre escolha, com reembolso limitado
Bradesco (2026)Nº 25: vidros, máquina e cristalização. Nº 24 Plus: mais faróis, lanternas e retrovisores. Teto solar só nas versões PremiumUma participação por troca; duas trocas de uma vez pagam duas. Reparo do para-brisa e troca só da lente sem participação2 trocas de vidro por vigência; no Plus, mais 2 de faróis e lanternas e 2 de retrovisores; lente sem limiteSó na rede, sem reembolso
Yelum (05/2025)Básico: vidros. Intermediário: mais retrovisores, lanternas, faróis e máquina. Teto solar nos planos "com teto solar"Reparo sem franquia; troca com franquia por evento, inclusive nos laterais; vários itens pagam a de maior valorLimites em reais por evento e por vigênciaRede ou livre escolha
HDI (manual sem data)Vidros (31 0017); faróis, lanternas e lentes de retrovisor em cobertura separada (31 0018)Para-brisa: R$ 60 (nacional) e R$ 135 (importado); laterais e traseiro sem franquiaFaróis e lanternas: 2 por anoSó na rede credenciada
Condições gerais coletadas em 26/09/2026. O manual da HDI não tem data: os valores em reais podem ter mudado, confira na sua apólice. A Tokio Marine não detalha a cobertura de vidros nas condições gerais; lá, o casco não paga vidro quebrado sozinho sem a cobertura específica (9.1.5 i). A norma da SUSEP deixa cada seguradora escolher franquia única ou por item (Circular 639/2021, art. 9º).

Reparo sem franquia, troca com franquia

Esta é a regra mais útil da cobertura, e quase ninguém conhece: se o para-brisa pode ser reparado, não se paga nada. A Porto escreve que não há franquia para o reparo do para-brisa; Bradesco e Yelum, também; a HDI só cobra quando o reparo não é possível; a Allianz fala em franquia por item substituído. Muita gente com uma trinca pequena deixa de acionar achando que vai pagar franquia, e a trinca cresce até exigir a troca.

Quem decide se dá para reparar é o técnico da rede, por critério de segurança. O Bradesco publica os seus: trinca menor que 10 cm, ponto de impacto com menos de 4 cm de diâmetro, fora do campo de visão do motorista (a faixa de 290 mm na frente do volante) e fora da serigrafia, a faixa escura da borda. Por isso a pressa conta: pedra no para-brisa, acione logo, antes que a trinca cresça e o reparo deixe de ser possível.

Na troca, preste atenção em como a franquia é contada. A Porto cobra uma franquia por evento, a de maior valor entre as peças danificadas. O Bradesco cobra uma participação por troca: se o mesmo evento quebrou o para-brisa e o vidro traseiro, são duas. A Allianz faz como a Porto: vários itens no mesmo evento, mesmo de coberturas diferentes, pagam só a franquia da peça de maior valor. A SUSEP permite os dois jeitos, desde que esteja escrito.

Vidros ou casco: quando usar cada um

A cobertura de vidros é para o vidro que quebrou sozinho: a pedra na estrada, o galho, o granizo que trincou o para-brisa sem amassar o carro. Se o vidro quebrou numa batida, ou se a mesma ocorrência amassou a lataria, tudo vai para o sinistro de casco, com a franquia de casco. A HDI e o Bradesco excluem da cobertura de vidros o dano causado por colisão; Porto, Allianz, Yelum e Bradesco não atendem pela cobertura de vidros o carro que está com sinistro de casco em andamento.

Sem a cobertura de vidros, o vidro quebrado sozinho fica num lugar ruim. Na Tokio Marine, o casco nem cobre dano isolado a vidro (9.1.5 i). Nas outras, entraria como sinistro de casco, com a franquia cheia, que quase sempre é maior que o preço da peça. A conta da franquia de casco está no artigo sobre franquia.

Rede referenciada: o que muda para você

A SUSEP obriga a seguradora a manter no site a lista atualizada da rede referenciada de cada plano (Circular 639/2021, art. 12, § 2º). Vale olhar antes de contratar se existe loja de vidros da rede na sua cidade: em cidade do interior, isso decide se a cobertura funciona na prática.

Fora da rede, as regras endurecem. Na cláusula 76 da Porto e no Bradesco não há reembolso de serviço feito por conta própria. Na Allianz há reembolso, mas limitado: para trocar o para-brisa de um carro de passeio nacional, até R$ 180 por evento e R$ 360 por vigência; de picape pesada nacional, como Hilux, S10 e Ranger, até R$ 350 e R$ 700. A peça também muda: a norma admite peça nova, original ou não (art. 13), e a logomarca da montadora no vidro não vem de série: a cláusula 76 da Porto exclui a peça genuína com logomarca, e Allianz e Bradesco só a repõem nas coberturas próprias de logomarca. Carro com câmera e sensor no para-brisa: o Bradesco inclui a recalibração dos sensores fixados no para-brisa após a troca; a Allianz exclui a recalibração.

Usar a cobertura de vidros mexe no bônus e no carro reserva?

No bônus, depende da seguradora. O Bradesco escreve que os serviços de reparo de vidros não são considerados para reduzir a classe de bônus, e a Yelum diz o mesmo do reparo exclusivo de vidros. Para a troca de peça e para as demais seguradoras, pergunte antes; o funcionamento do bônus está no artigo sobre ele. No carro reserva, a resposta é mais firme: Porto e Bradesco dizem que o uso da cobertura de vidros não garante carro reserva, mesmo contratado.

Vale a pena contratar a cobertura de vidros?

A conta se faz com três números da sua própria cotação e um orçamento, sem precisar adivinhar nada:

A conta da cobertura de vidros com os seus números
LetraO que éOnde achar
AQuanto o adicional de vidros acrescenta ao preço do seguro por anoNa cotação, com e sem a cobertura
BQuanto custa trocar o para-brisa do seu carro sem seguroOrçamento numa loja de vidros automotivos
CFranquia de troca do para-brisaNa proposta
ResultadoUma única troca no ano já paga o adicional se B menos C for maior que A—
Exemplo com números inventados: se o para-brisa custa R$ 1.500 (B) e a franquia é R$ 300 (C), uma troca economiza R$ 1.200. Se o adicional da sua cotação custar menos que isso por ano, uma pedra já paga a cobertura; os reparos sem franquia são lucro.

Pesa a favor de contratar: rodar em estrada de terra ou atrás de caminhão, carro com para-brisa caro (com sensor de chuva, câmera ou aquecimento), caminhonete, faróis de LED ou xênon originais e teto panorâmico. Pesa contra: carro antigo com vidro barato, pouco uso e uma rede de vidros longe de casa. Na cotação, vale comparar também o plano só de vidros com o que inclui faróis e retrovisores.

Coberturas, franquias, limites e regras de bônus variam conforme a seguradora e o plano contratado. As cláusulas citadas têm a seguradora e a versão indicadas, e valem para aquela versão das condições gerais. Para o seu caso, consulte a proposta, a apólice e as condições contratuais do seu seguro.

Perguntas frequentes

Cobre se você contratou a cobertura adicional de vidros. Quando a trinca é pequena e fora do campo de visão do motorista, o para-brisa é reparado sem franquia na Porto, no Bradesco, na Yelum e na HDI. Se precisar trocar, paga-se a franquia de vidros da apólice, bem menor que a de casco.

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Felipe Servignini Mendes
Sócio-fundador da Chiare & Mendes Corretora de Seguros

Corretor de seguros e sócio-fundador da Chiare & Mendes, corretora habilitada pela SUSEP (202030976) em Dourados/MS, que atende todo o Brasil. Escreve sobre as dúvidas que chegam todos os dias no atendimento. Conteúdo informativo — não substitui a leitura das condições gerais da apólice nem orientação profissional individual.

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