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Dourados e MS6 min de leitura

Choveu granizo em Dourados: como acionar o seguro residencial nas primeiras 24 horas

Fotografe antes de mexer, cubra o telhado e avise a seguradora no mesmo dia. Documentos que ela pode pedir, quem paga a lona e os prazos para decidir e pagar.

Felipe Servignini MendesPublicado em
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Acione no mesmo dia: fotografe tudo antes de mexer, faça só o reparo de emergência para a chuva parar de entrar e avise a seguradora — direto ou pela corretora — com as fotos. As condições gerais não dão prazo em dias para o aviso, pedem que ele seja feito "prontamente", e é o que você faz nas primeiras horas que decide se o sinistro anda rápido. Depois que a documentação está completa, a lei dá à seguradora até 30 dias para decidir e mais 30 para pagar. O que a cobertura de vendaval e granizo paga, e o que fica de fora, está no artigo "Granizo, vendaval e chuva: o que o seguro residencial cobre em Dourados".

Em Dourados isso não é hipótese. Em 16 de maio de 2026, granizo e ventania destelharam dez casas, a maioria no IV Plano e no Jardim Rasselen, e a Defesa Civil atendeu as famílias. Na corretora, vendaval e granizo são o sinistro residencial que mais abrimos entre outubro e março.

As primeiras 24 horas, hora a hora

Granizo no telhado: o que fazer e quando
QuandoO que fazerPor quê
Assim que a chuva passarAfaste todo mundo de fio caído e de telhado solto; desligue o disjuntor se a água chegou à fiação. Não suba no telhado molhado.Nenhum conserto vale um acidente.
Na primeira horaFotos e um vídeo andando pela casa: telhado de longe e de perto, forro, paredes, móveis molhados. As pedras de gelo ao lado de uma régua ou moeda.Depois de limpar, a seguradora só tem a sua palavra.
No mesmo diaCubra o telhado com lona ou recoloque telhas para a chuva parar de entrar. Guarde nota e fotos.A lei manda evitar que o dano aumente, e esse gasto é reembolsável.
No mesmo diaAvise a seguradora, direto ou pela corretora, com as fotos e a data e a hora do temporal.O aviso deve ser feito "prontamente".
No dia seguintePeça orçamentos detalhados do conserto. Guarde as telhas quebradas e o que estragou.A seguradora pode querer ver; orçamento de parente não vale.
Até a vistoriaNão faça o conserto definitivo.Alterar o local do sinistro é vedado; conserto só com autorização.

Avisar "prontamente": não existe prazo em dias

Nenhuma das condições gerais que lemos fixa um número de dias. A Porto pede para "comunicar prontamente" o sinistro; a Mapfre, "imediatamente após a ocorrência"; a Lei 15.040/2024, que regula o contrato de seguro desde dezembro de 2025, diz "avisar prontamente a seguradora, por qualquer meio idôneo" (art. 66). A consequência de demorar está na mesma lei: quem deixa de avisar por descuido perde a parte da indenização equivalente ao dano que a demora causou; quem omite de propósito perde tudo. Se a seguradora ficou sabendo do sinistro a tempo, por outro meio, essa perda não se aplica. Traduzindo: avise no dia, mesmo sem ter todos os documentos.

A lona e o conserto de emergência: quem paga

A seguradora. O nome técnico é despesa de salvamento: o gasto para evitar que o estrago aumente. A lei manda a seguradora pagar, mesmo que o prejuízo fique abaixo da franquia e mesmo que a medida não tenha funcionado (art. 67). No Porto Residencial Essencial, o limite é de 10% do limite da cobertura acionada, até R$ 25 mil. Ficam de fora a manutenção que já devia ter sido feita e a medida claramente exagerada. A lona no telhado aberto e a mão de obra de quem instalou são o exemplo típico; guarde nota fiscal e foto de antes e depois.

Os documentos que a seguradora pode pedir

  • Fotos e vídeos do dano, feitos antes do reparo.
  • Orçamentos prévios e detalhados do conserto, de empresas que não sejam suas nem de parentes.
  • Relação do que estragou dentro de casa, com nota fiscal ou foto dos bens.
  • Notas da lona e do reparo de emergência.
  • Prova do evento: boletim meteorológico ou laudo da Defesa Civil.
  • Documento de identidade, CPF, comprovante de endereço do imóvel e dados bancários.

A lista acima sai do item 19.1 das condições gerais do Porto Residencial Essencial, que avisa que outros documentos podem ser pedidos. A prova do evento costuma assustar, mas nem sempre é você que corre atrás: a Porto diz que, em caso de dúvida, caracteriza o evento pelos danos em outros imóveis da região, por atestado de órgão competente ou por ser um fato público e notório. A Allianz lista o laudo meteorológico; a Mapfre aceita, no lugar dele, a notícia do temporal na imprensa local. Boletim de ocorrência a Allianz e a Mapfre pedem em roubo, incêndio e batida de veículo, não em vendaval e granizo.

Os prazos depois que a documentação está completa

Prazos da seguradora no sinistro (Lei 15.040/2024)
EtapaPrazo máximoArtigo
Dizer se cobre ou não, com a justificativa30 dias da entrega de todos os documentosArt. 86
Pagar, depois de reconhecer a cobertura30 diasArt. 87
Pedir documento complementarUma vez só, quando o valor segurado não passa de 500 salários mínimos; o prazo para e recomeça quando você entregaArts. 86 e 87
Se atrasarMulta de 2% sobre o valor devido, corrigido, mais jurosArt. 88
As condições gerais da Porto (cláusula 19) e da Mapfre (cláusula 6.2) repetem esses prazos. Na nossa experiência, sinistro pequeno e bem documentado sai antes; telhado com vistoria pode usar o prazo todo.

Um temporal real, com a conta da participação

Um sinistro real que a gente acompanhou: num temporal de novembro, o vento arrancou parte do telhado, o forro de gesso cedeu e a chuva molhou guarda-roupa, colchão e a TV do quarto. Prejuízo: R$ 62.904,88. Na cobertura de vendaval e granizo, a apólice desconta de cada sinistro a participação obrigatória do segurado (POS) — no Porto Essencial, 10% do prejuízo com mínimo de R$ 500:

O temporal de novembro, com POS de 10% e mínimo de R$ 500
Valor
Prejuízo apuradoR$ 62.904,88
POS (10% do prejuízo, mínimo R$ 500)R$ 6.290,49
A seguradora paga, se o limite comportarR$ 56.614,39
Fica com a famíliaR$ 6.290,49
10% com mínimo de R$ 500 é a regra que a Porto informa para a Multiproteção do Residencial Essencial; cada apólice tem a sua. Se o limite da cobertura for menor que R$ 56.614,39, a seguradora paga até o limite e a diferença fica com você — o efeito do limite está no artigo sobre o que o seguro cobre.

O que pode travar o sinistro

Erros que atrasam ou reduzem a indenização do granizo
O que aconteceConsequência
Conserto definitivo antes da vistoria, sem fotosA seguradora não consegue apurar o dano; pode negar ou reduzir
Telha que já estava quebrada, infiltração antigaDano preexistente não é coberto; a vistoria distingue o novo do velho
Aproveitar para trocar o telhado inteiroAmpliação e troca de material em área não danificada ficam de fora
Telhado fora das normas técnicas (ABNT)Bem não coberto no Porto Essencial
Água que entrou pela janela ou subiu do chãoNão é vendaval nem granizo; só a água que passou pelo telhado aberto entra
Documento faltandoO prazo de 30 dias não começa a contar
Com base nas condições gerais do Porto Residencial Essencial (09/2026) e na Lei 15.040/2024.

Perguntas frequentes

Não em dias. As condições gerais pedem aviso "prontamente" (Porto) ou "imediatamente" (Mapfre), e a Lei 15.040/2024 também fala em "prontamente". Avisar tarde não cancela o seguro por si só, mas o dano que aumentou por causa da demora pode ser descontado da indenização. O ideal é avisar no mesmo dia.

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Felipe Servignini Mendes
Sócio-fundador da Chiare & Mendes Corretora de Seguros

Corretor de seguros e sócio-fundador da Chiare & Mendes, corretora habilitada pela SUSEP (202030976) em Dourados/MS, que atende todo o Brasil. Escreve sobre as dúvidas que chegam todos os dias no atendimento. Conteúdo informativo — não substitui a leitura das condições gerais da apólice nem orientação profissional individual.

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